Nunca fui uma pessoa criativa. Não conseguia (e ainda não consigo) ter ideias para criar estórias, desenhos, músicas, qualquer coisa. Por isso, o sonho de ser roteirista sempre foi um obstáculo para mim: a área que eu mais admiro, e a que provavelmente mais teria dificuldade em exercer. Mas, algum tempo depois de assistir Manchester À Beira-Mar (meu filme preferido), a vontade de escrever roteiros sobre personagens quebrados se tornou cada vez mais forte, quando, um dia, tive a ideia de escrever um estória sobre um homem que volta da guerra e tem que lidar com seus "inimigos interiores" e aprender a viver sua vida como era antes. Finalmente uma ideia genial!
...se não tivesse sido filmada há 72 anos.
Três soldados americanos enfrentam dificuldades de readaptação ao voltar para casa após a Segunda Guerra Mundial.
Com quase 3h de duração, o maior problema do filme é demorar um pouco mais do que o necessário para ficar interessante. Após aproximadamente 1h20m de projeção, os conflitos começam a se estabelecer de verdade para todos os personagens. Até chegar nesse ponto, a trama mais interessante era a de Homer Parrish (Harold Russell), que tem as mãos amputadas na guerra e precisa aprender a conviver principalmente com o julgamento de sua família e da sociedade. Infelizmente, além de ser a história mais interessante, é também a menos explorada, dando preferência às de Fred Derry (Dana Andrews) e Al Stephenson (Frederic March). Na verdade, o único personagem afetado desde o princípio pela guerra é Homer. Tanto Fred quanto Al têm arcos interessantes, mas eles tomam um pouco mais de tempo para serem desenvolvidos, o que torna o filme entediante de início. Apesar disso, uma das melhores cenas de Os Melhores Anos de Nossas Vidas se passa justamente em seu início, quando os soldados finalmente reencontram suas famílias
Aliás, o desenvolvimento de ambos os personagens é um dos maiores acertos do roteiro. O que no início parecia ser perfeito começa a desmoronar cada vez mais, a mudança psicológica dos personagens (especialmente de Fred) torna o começo tedioso do filme quase redimível. Outro ponto interessante que o roteiro aborda de maneira sutil é que os três veteranos atuaram em áreas diferentes na guerra: Homer era soldado na Marinha, Fred bombardeava os inimigos pelo ar, enquanto Al era soldado por terra; ou seja, não importa em qual parte da guerra a pessoa esteja, ela destrói emocionalmente a pessoa da mesma forma, deixando claro que os melhores anos da vida dos personagens na verdade foram antes da guerra mudar suas vidas.
O diretor William Wyler também merece destaque no filme. Trabalhando com a movimentação dos atores e da câmera, estabelece visualmente quando um personagem apoia o outro em uma certa discussão, ou quando a conversa muda de tom, ou até mesmo quando certo personagem é agressivo com outros, o filmando de baixo para cima e ocupando quase o quadro todo, o transformando em uma figura quase monstruosa. Outro momento que vale o crédito é um em que Wyler utiliza os vários espelhos de um banheiro para filmar de maneira elegante duas personagens conversando, movimentando a câmera e fazendo o plano ser ainda mais interessante de ser assistido. O diretor também prefere ser mais sutil em alguns momentos importantes do filme, como no momento em que Homer reencontra sua família, que se assusta ao ver que o ente querido não tem mais as mãos. Um diretor menos experiente faria close-ups na família de Homer, ou em seus ganchos (ou nos dois), mas Wyler sabe que o espectador entende aquele momento sem precisar jogar na cara o que acontece.
Os três atores principais traduzem com clareza todos os conflitos e as mudanças que seus personagens passam durante o filme. Destaco a atuação de Harold Russell, que na verdade não era ator, mas sim um veterano da Segunda Guerra. Harold foi o primeiro ator não-profissional a ganhar um Oscar, fato que veio a se repetir apenas em 1985. Porém, Myrna Loy (que interpreta a esposa de Al, Milly) atua de maneira confusa, quando em alguns momentos ela parece triste ou com vergonha de algo, mas no plano seguinte demonstra felicidade com a mesma situação.
Outro fato importante de ressaltar é que o filme foi lançado apenas um ano após o fim da Segunda Guerra Mundial, o que pode explicar o fato de vencer 7 dos 8 Oscars a que foi indicado: Filme, Direção, Ator - Frederic March, Ator Coadjuvante - Harold Russell, Roteiro, Trilha Sonora, Fotografia e Mixagem de Som, tendo perdido apenas o último (além de um prêmio especial para Harold Russell por "trazer coragem e esperança para os veteranos de guerra").
Os Melhores Anos de Nossas Vidas pode ser um pouco longo demais e arrastado no início, mas se redime pela construção dos personagens e a direção de Wyler.
Nota: 8,0/10

muito bom
ResponderExcluirTesão de blognagem
ResponderExcluirRecomendo!
Curtih táâãh liìïgadoõøh
ResponderExcluirVoh éh mostrah prah quebradah
Achei bem merda mas curti
ResponderExcluirMostra como o jovem é merda e deve ser destruido dolorosamente