Historias de animais fofinhos, duras vidas e como seus dilemas são superados: Seabiscuit não poderia ser um filme com mais intenção de fazer o público chorar a qualquer custo; mas talvez esse seja o menor de seus problemas.
Charles Howard (Jeff Bridges) é um milionário que ganhou Seabiscuit, um cavalo de pequeno porte e indisciplinado que nunca teve grande destaque nas corridas. Howard decide o treinar para torná-lo competitivo, contratando o jóquei John "Red" Pollard e o treinador Tom Smith, conhecido no meio por sua capacidade de se comunicar com cavalos.
O grande problema do longa é praticamente não andar, muito menos galopar (entenderam o trocadilho? Ha ha ha...). Nada contribui para que o filme seja interessante de se assistir. O primeiro aspecto disso é sua trama previsível e desinteressante: a partir das primeiras cenas, você sabe exatamente o que vai acontecer; e quando algo inesperado acontece, é possível perceber o que acontecerá logo após aquilo - e, aliás, algo que já é raro de acontecer no filme só piora em alguns momentos, como em uma determinada cena onde um personagem "pressente" o que está acontecendo com Seabiscuit através de um problema de saúde; a cena é ilógica e exagerada, fazendo com que algo que deveria ser impactante soe apenas decepcionante.
Além disso, todos os personagens têm passados, mas nada os influencia a fazer algo, ou os atrapalha psicológica ou emocionalmente. Seja um personagem que perdeu parentes importantes, ou que estão cegos, isso quase nunca interfere no roteiro, tornando os personagens profundos, mas ainda assim rasos; conhecemos seus passados, mas se isso não os atrapalha, se torna apenas irrelevante.
Outra coisa que atrapalha o filme são alguns momentos onde há uma pausa na trama para narrar o contexto histórico do momento, prejudicando totalmente o ritmo do longa. Após uma corrida de cavalos muito bem montada (os únicos momentos onde o filme não dá sono, por sinal), o momento de explosão de adrenalina tem uma freada brusca para explicar o momento em que o país estava, que, aliás, não faz tanta diferença no roteiro, como, na verdade, nada faz.
Porém, Seabiscuit não deixa de ser um filme extremamente belo de se assistir. As cores vivas da direção de arte, ressaltadas pela composição e iluminação da cinematografia fazem desse longa visualmente agradável, apesar da ausência de um bom roteiro. Cada frame/enquadramento caberia perfeitamente como um papel de parede, como se fosse uma boa experiência para se ver sem som (ou, no caso, sem legendas).
Mas o filme erra feio ao ter uma direção pesada. Gary Ross tenta chamar excessivamente a atenção para si mesmo, utilizando jump cuts e match cuts excessivos, que causam estranheza ao assistir. No caso do primeiro, um personagem volta na posição inicial da cena apenas para dizer que algum tempo se passou e ele retornou lá (-Mas isso já não aconteceu?); no segundo, na verdade, um personagem completa a sua frase em outra cena, como: "[Cena 1] - Esse homem é...[Cena 2] irrelevante". Além de causar certa estranheza, como dito, esses cortes excessivos tiram a naturalidade do filme, saímos da diegese, nos lembramos que não estamos vivenciando a história, mas assistindo a um longa.
Seabiscuit tem seus longos 140 minutos são ainda piorados por uma história desinteressante, previsível e emocional demais. É inofensivo, apenas esquecível; agradável visualmente, pode ser interessante de se assistir enquanto faz alguma coisa a mais (caberia muito bem em um filme de Sessão da Tarde) e, por mais que as corridas de cavalo sejam dinâmicas, as quebras de ritmo provocadas pela explicação do contexto histórico prejudicam todo o andamento do longa.
O filme teve 7 inexplicáveis indicações ao Oscar (Filme, Roteiro Adaptado, Mixagem de Som, Direção de Arte, Edição, Figurino e Cinematografia), e perdeu quase todas para O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.
Nota: 4,0/10
Outra coisa que atrapalha o filme são alguns momentos onde há uma pausa na trama para narrar o contexto histórico do momento, prejudicando totalmente o ritmo do longa. Após uma corrida de cavalos muito bem montada (os únicos momentos onde o filme não dá sono, por sinal), o momento de explosão de adrenalina tem uma freada brusca para explicar o momento em que o país estava, que, aliás, não faz tanta diferença no roteiro, como, na verdade, nada faz.
Porém, Seabiscuit não deixa de ser um filme extremamente belo de se assistir. As cores vivas da direção de arte, ressaltadas pela composição e iluminação da cinematografia fazem desse longa visualmente agradável, apesar da ausência de um bom roteiro. Cada frame/enquadramento caberia perfeitamente como um papel de parede, como se fosse uma boa experiência para se ver sem som (ou, no caso, sem legendas).
Mas o filme erra feio ao ter uma direção pesada. Gary Ross tenta chamar excessivamente a atenção para si mesmo, utilizando jump cuts e match cuts excessivos, que causam estranheza ao assistir. No caso do primeiro, um personagem volta na posição inicial da cena apenas para dizer que algum tempo se passou e ele retornou lá (-Mas isso já não aconteceu?); no segundo, na verdade, um personagem completa a sua frase em outra cena, como: "[Cena 1] - Esse homem é...[Cena 2] irrelevante". Além de causar certa estranheza, como dito, esses cortes excessivos tiram a naturalidade do filme, saímos da diegese, nos lembramos que não estamos vivenciando a história, mas assistindo a um longa.
Seabiscuit tem seus longos 140 minutos são ainda piorados por uma história desinteressante, previsível e emocional demais. É inofensivo, apenas esquecível; agradável visualmente, pode ser interessante de se assistir enquanto faz alguma coisa a mais (caberia muito bem em um filme de Sessão da Tarde) e, por mais que as corridas de cavalo sejam dinâmicas, as quebras de ritmo provocadas pela explicação do contexto histórico prejudicam todo o andamento do longa.
O filme teve 7 inexplicáveis indicações ao Oscar (Filme, Roteiro Adaptado, Mixagem de Som, Direção de Arte, Edição, Figurino e Cinematografia), e perdeu quase todas para O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei.
Nota: 4,0/10

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