"Um filme de Martin Scorsese". Pode ser difícil imaginar, mas, um dia, o nome do diretor dos clássicos Os Bons Companheiros, Touro Indomável e Taxi Driver não dizia nada, ou sequer estava no pôster (como na imagem acima). Diretores renomados atualmente começaram de algum lugar, e não tinham tanta fama assim...e no caso de Scorsese, infelizmente, não começou com um grande trabalho.
J.R. (Harvey Keitel) é um desempregado feliz da vida que passa seus dias saindo com seus amigos, em Nova York. Porém, quando ele reencontra uma amiga da faculdade, apaixona-se por ela e passa a questionar todos a sua volta e a própria vida.
Pelo menos é isso que a sinopse diz, já que a trama parece não ter tanto conflito assim. J.R. se encontra com os seus amigos e com sua namorada durante o filme inteiro, e nada atrapalha as duas coisas. Em alguns momentos ele questiona seus amigos e até mesmo sua namorada, porém, tudo isso se resolve em poucos minutos ou segundos. Por mais que J.R. brigue com seus amigos, na próxima cena vemos eles brincando novamente, fazendo com que pareça que nada realmente importa. E há ainda uma cena envolvendo uma estátua que parece ter grande relevância no decorrer da história, mas aos poucos ela é esquecida e não se justifica.
Além disso, a montagem também atrapalha o filme, não deixando muito claro o que seriam flashbacks e o que estaria acontecendo naquele momento. Ainda na montagem, algumas cenas são desnecessariamente longas, tomando até quatro minutos de projeção sem dizer muita coisa. Ainda que relativamente curto (tem pouco menos que 1h30m), não faz sentido ter cenas tão longas que não agregam muito ao filme.
Porém, Quem Bate À Minha Porta tem seus acertos. Logo nos primeiros minutos, já vemos algumas características de Scorsese que viriam a ser repetidas em seus próximos trabalhos, como usar trilha sonora adaptada (principalmente de rock). Talvez a música que mais chama atenção é The End, do The Doors (aquela que toca no início de Apocalypse Now), já que é de uma banda famosa atualmente, mas que lançou seu primeiro álbum também em 1967, ano de estréia do filme. Ainda nos primeiros minutos, algumas cenas de briga lembram um pouco às protagonizadas por Tommy em Os Bons Companheiros.
Além disso, os diálogos são um prato cheio para os cinéfilos (que imagino que sejam os únicos que irão assistir a esse filme, devido a sua baixa popularidade). Em diversos momentos, J.R. e sua namorada conversam sobre clássicos do cinema, principalmente faroestes, como Rastros de Ódio e O Homem Que Matou o Facínora, fazendo também várias referências a John Wayne em específico.
Apesar disso, é perceptível o amadorismo do cineasta no começo da carreira (óbvio, já que ele tinha apenas 25 anos em 1967, não dá pra cobrar uma obra tecnicamente perfeita). Em algumas cenas, a câmera tem que se ajustar para não "cortar a cabeça" de certo personagem, enquanto em outra cena, o rosto de um ator é tampado por uma cadeira que está em sua frente, o que não parece proposital, uma vez que no próximo plano o rosto do ator é visível.
Quem Bate À Minha Porta não é um filme terrível, tem suas cenas divertidas e diálogos interessantes, mas a falta de conflito e a montagem confusa prejudicam consideravelmente a obra. Vale mais como estudo para entender como um dos maiores cineastas de todos os tempos começou, e, principalmente, como sua carreira foi crescente.
Nota: 5,5/10


Nenhum comentário:
Postar um comentário