Al Pacino e Robert De Niro são dois dos maiores atores do cinema, isso é inegável. E quem assiste a clássicos como Scarface, Touro Indomável e a trilogia O Poderoso Chefão entende o porquê dessa fama. Ambos tiveram carreiras parecidas: apesar de obviamente interpretarem papeis diferentes, são reconhecidos por filmes sobre crimes ou sobre a máfia (além dos já citados acima, Os Bons Companheiros, Um Dia de Cão e Caminhos Perigosos são alguns dos exemplos). Logo, era de se esperar que um crossover entre essas duas lendas acontecesse...e Michael Mann foi o diretor responsável por tornar isso real.
Em Los Angeles, Neil McCauley (De Niro) e sua gangue assaltam um carro-forte e roubam US$1,6 milhão de dólares em títulos ao comprador. Durante o assalto, sua gangue mata três policiais, o que faz o Vincent Hanna (Pacino), detetive da Divisão de Roubo e Homicídio, assumir o caso.
É curioso notar como uma trama tão simples pode gerar um filme tão diferente dos demais e, por isso, tão interessante. O diferencial de Fogo Contra Fogo na verdade está no desenvolvimento de seus personagens principais, a construção de seus arcos e como eles lidam com os acontecimentos do decorrer do filme, e como suas personalidades são contrastantes. Vincent, por exemplo, cuja profissão consiste em "manter a ordem" na cidade, não consegue cuidar nem de sua própria família, já que tem problemas com sua esposa, enquanto Neil, criminoso, tem um relacionamento saudável durante o filme, mesmo dizendo ser capaz de abandonar tudo em 30 segundos sem hesitar, caso necessário. Esse constrate também é ressaltado pela atuação de De Niro e Pacino. O primeiro constrói seu personagem como uma pessoa calma, com um tom de voz mais baixo, na medida que Al Pacino tem um personagem mais explosivo, gritando constantemente.
Para ressaltar essa natureza de seus personagens (seja no âmbito "profissional" ou no pessoal), Mann e Dante Spinotti, diretor de fotografia, optam por uma fotografia mais sombria, colaborados também pela direção de arte, que compõe os cenários de cores mais frias, sendo as únicas oposições quando Neil está com sua namorada, Eady (Amy Brenneman), e com seus amigos, onde a paleta de cores dá preferência a tons mais quentes.
O diretor também acerta ao conseguir criar a tensão necessária para que o filme funcione. E o roteiro é tão bem escrito que essa tensão é criada para os dois lados, parecendo mais como um jogo de xadrez, onde cada movimento pode mudar completamente a trama, e o fato dos personagens principais serem extremamente bem concebidos torna isso ainda mais palpável, já que não é possível torcer para apenas um deles, sempre pensando o que cada um vai fazer na próxima jogada.
Porém, Fogo Contra Fogo não é perfeito. Em alguns momentos, o filme se arrasta um pouco, tornando suas quase 3 horas de duração perceptíveis, algo que não acontece com alguns filmes maiores e com menos ação. Algo que também não contribui para isso é o fato de seu clímax acontecer uma hora antes do fim do filme, fazendo com que por mais que após isso a trama continue interessante, deixa a sensação de que o filme já estaria acabando, mas nunca acaba.
Outro ponto negativo do filme são alguns overactings (quando um ator "passa dos limites", gritando e gesticulando mais do que o necessário), principalmente de Al Pacino (vide imagem abaixo). Isso não compromete o filme, mas acaba gerando uma estranheza ao assistir.
O diretor também acerta ao conseguir criar a tensão necessária para que o filme funcione. E o roteiro é tão bem escrito que essa tensão é criada para os dois lados, parecendo mais como um jogo de xadrez, onde cada movimento pode mudar completamente a trama, e o fato dos personagens principais serem extremamente bem concebidos torna isso ainda mais palpável, já que não é possível torcer para apenas um deles, sempre pensando o que cada um vai fazer na próxima jogada.
Porém, Fogo Contra Fogo não é perfeito. Em alguns momentos, o filme se arrasta um pouco, tornando suas quase 3 horas de duração perceptíveis, algo que não acontece com alguns filmes maiores e com menos ação. Algo que também não contribui para isso é o fato de seu clímax acontecer uma hora antes do fim do filme, fazendo com que por mais que após isso a trama continue interessante, deixa a sensação de que o filme já estaria acabando, mas nunca acaba.
Outro ponto negativo do filme são alguns overactings (quando um ator "passa dos limites", gritando e gesticulando mais do que o necessário), principalmente de Al Pacino (vide imagem abaixo). Isso não compromete o filme, mas acaba gerando uma estranheza ao assistir.
(A título de curiosidade, se você pesquisar "Al Pacino overactings"
e procurar imagens, os quatro primeiros resultados são de Fogo Contra Fogo)
Além disso, Robert De Niro e Al Pacino pouco se encontram durante o filme, estando em poucas cenas no mesmo plano, o que pode desapontar algumas pessoas, mas passa a ser previsível e aceitável, já que interpretam personagens adversários.
Fogo Contra Fogo possui alguns excessos, é arrastado em alguns momentos e pode desapontar um pouco pelo "épico encontro" acontecer por pouco tempo, mas vale por seus personagens e pela tensão.
Nota: 8,5/10



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